O número de pessoas com 85 anos ou mais no Reino Unido dobrou desde 1983 para 1,3 milhão em 2008. Dados do Office for National Statistics mostram que esses “muito idosos” hoje correspondem a 2,2% da população total, sendo que 25 anos atrás esse percentual era de 1,1%.
A 42ª edição do Regional Trends mostra que havia 410.000 pessoas com 90 anos ou mais em 2008, das quais mais de 10.000 eram centenárias. Nos últimos 25 anos, o número de pessoas com 65 anos ou mais no Reino Unido aumentou em 18%, ou seja, de 8,4 milhões em 1983 para 9,9 milhões em 2008. No mesmo período, a população com 16 a 64 anos aumentou em 11%, enquanto a população com menos de 16 anos diminuiu em 5%.
O sudoeste da Inglaterra e o País de Gales têm a maior proporção de pessoas idosas, ao passo que Londres e a Irlanda do Norte têm a menor. O envelhecimento da população deve continuar; o número de pessoas no Reino Unido com 65 anos ou mais deve aumentar em aproximadamente 66%, atingindo 15,8 milhões até 2031. Nesse momento, os indivíduos com 65 anos ou mais formarão 22% da população do Reino Unido.
O maior aumento será nos grupos de idade mais avançada. Até 2031, espera-se um aumento de 77% no número de indivíduos com idade igual ou maior que 75 anos e um aumento de 131% no número de indivíduos com 85 anos ou mais.
Apesar da projeção de crescimento estável da população com 65 ou mais em todas as regiões entre 2006 e 2031, os maiores aumentos percentuais são esperados para a Irlanda do Norte, o centro-oeste e leste da Inglaterra e serão maiores entre os indivíduos acima de 85 anos. O relatório afirma: “Essas áreas enfrentarão os maiores desafios, proporcionalmente à provisão existente, para atender às necessidades do crescente número de pessoas de mais idade, incluindo ‘os muito velhos’ com mais de 85 anos”.
Ao comentar sobre os dados, Simon Conroy, geriatra na Leicester Royal Infirmary e secretário da Sociedade Britânica de Geriatria, disse ao BMJ: “A menos que o NHS mude sua forma de operar, as consequências serão graves. A maior parte dos dias passados em leito hospitalar é utilizada por idosos frágeis, e precisamos manejar esses pacientes muito melhor do que o fazemos hoje. Há necessidade de melhor integração entre a atenção à saúde e o cuidado social. Também é importante considerar a saúde física e mental do paciente”.
Ele acrescentou que atualmente temos um sistema em que o hospital trata as condições agudas, porém não resolve os problemas subjacentes. “Então, o paciente idoso provavelmente será internado repetidas vezes – a síndrome do vai-e-volta. Precisamos instalar mecanismos robustos de apoio que continuem por um período substancial de tempo”, alertou.
O relatório afirma que os níveis mais altos de privação de renda geralmente são observados entre os mais idosos do nordeste e em Londres. Observou-se que a expectativa de vida é em geral maior no sul e no centro, apesar de haver grande variação entre as regiões. As áreas com maior expectativa de vida aos 65 anos foram Kensington e Chelsea, onde os homens vivem em média mais 22,7 anos. A menor expectativa foi em Glasgow City, onde os homens com 65 anos podem esperar apenas mais 13,9 anos de vida. Para as mulheres, a maior expectativa de vida aos 65 anos foi novamente Kensington e Chelsea, com 25,2 anos.
O relatório também mostra que a divisão norte-sul persiste, e as regiões mais ao norte têm em geral piores experiências em saúde do que a média, enquanto o sul está muito acima da média.
Ver www.statistics.gov.uk/regionaltrends42.