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16/07/2010

Médicos espanhóis prontos para realizar primeiro transplante de duas pernas

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A Organização Nacional de Transplantes da Espanha deu sinal verde para o hospital La Fe, em Valência, para que realize o primeiro transplante de dois membros inferiores do mundo. O procedimento será realizado pelo Dr. Pedro Cavadas e por uma equipe de aproximadamente 35 profissionais de saúde em um jovem que perdeu as duas pernas em um acidente de carro.

Cavadas realizou na Espanha o primeiro transplante de face em agosto do ano passado e o primeiro transplante de mão em 2006. A intenção é realizar o transplante de membros inferiores mais para o fim do ano, disse ele, porém a data depende de quanto tempo será necessário para encontrar o doador certo – que, dentre outros fatores, precisará ter altura semelhante à do paciente.

O transplante é a única opção para que o paciente reconquiste a mobilidade, explicou Rafael Matesanz, diretor da Organização Nacional de Transplantes. As próteses de membros inferiores foram excluídas porque o jovem tem apenas 15 cm de partes moles restantes abaixo dos quadris. “Ele não teria recebido autorização se tivesse uma amputação unilateral ou bilateral com coto maior”, esclareceu Matesanz.

O paciente está em boas condições de saúde, e o procedimento obedece a todas as exigências éticas e legais, disse o diretor, acrescentando que o paciente compreendeu que talvez precise tomar medicamentos imunossupressores pelo resto da vida.

A cirurgia provavelmente será menos complicada do que os transplantes de membros superiores, realizadas por Cavadas várias vezes desde 2008. No entanto, a reabilitação pode levar até um ano, porque os nervos do paciente terão de crescer até a extremidade das novas pernas. Espera-se que os nervos cresçam a uma velocidade de 1 mm ao dia, informou o médico.

A autoridade em transplantes deixou claro que o caso não sinaliza uma permissão geral para transplantes de membros inferiores e que futuros casos terão de ser considerados individualmente. A razão pela qual transplantes semelhantes não receberam sinal verde antes tem mais a ver com a falta de demanda do que com a falta de perícia técnica, opinou Matesanz.




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