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17/12/2009

Uso de história, literatura e filosofia para captar a essência da medicina e da saúde

Por:
Geoff Watts
Higeia, a deusa da saúde: a pesquisa no centro, cu KING’S COLLEGE LONDON



Com o nascimento de um programa de pesquisa que varia de uma análise de 15.000 conjuntos de anotações de casos psiquiátricos a um questionamento filosófico sobre o próprio conceito de saúde, o recém-inaugurado Centro de Humanidades e Saúde tem o objetivo de abordar seu assunto por meio de uma frente ampla.

Sendo uma organização virtual sediada no King’s College London e estabelecida com uma doação de £2 milhões (US$3,3 milhões) do Wellcome Trust, o centro deverá estudar a doença não como um fenômeno biomédico, mas como uma experiência subjetiva a ser avaliada em detalhes por estudiosos do King’s e de outros locais, com visões gerais de história, literatura, psicologia, filosofia e artes visuais, assim como enfermagem e medicina.

O diretor do centro é Brian Hurwitz, professor D’Oyly Carte de medicina e artes no King’s, além de clínico geral no interior de Londres. Seu próprio interesse pelo assunto vem do tempo em que ainda era residente, quando ficou intrigado não só com a complexidade da comunicação entre médicos e pacientes, mas também com suas estruturas de referência, geralmente diferentes. Isso levou a um interesse nas narrativas em medicina, então às suas conexões com as artes e, agora, a conexões muito mais amplas com todas as ciências humanas.

Uma das intenções do centro é estabelecer um curso de mestrado. Como as matrículas não terão início antes do próximo ano, no estágio atual Hurwitz não está certo quanto ao tipo de candidatos que atrairá. Porém, antecipa que metade deles serão profissionais da saúde com qualquer formação.

Enquanto isso, o centro começou suas atividades de pesquisas com um núcleo de seis filamentos, um dos quais se situa no centro de sua intenção: o próprio conceito de saúde. Embora falemos constantemente sobre nosso estado de saúde e perguntemos uns aos outros como estamos, não há uma definição consensual e trabalhável sobre o que constitui a boa saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS), é claro, teve a iniciativa de encontrar uma e surgiu sua famosa e abrangente “estado completo de bem-estar físico e mental”.

Críticos observaram que isso levanta uma ou duas questões, incluindo as questões de subjetividade e a quem cabe o papel de decidir quando o estado saudável e feliz finalmente foi alcançado. M M McCabe, professor de filosofia antiga no King’s, está estabelecendo um programa de pesquisa sobre os conceitos de saúde e doença, tentando determinar até que ponto têm origem biológica, até onde transcendem a biologia e qual o papel da cultura em sua formação.

Em uma veia similar, Derek Bolton, professor de filosofia e psicopatologia no King’s, tentará esclarecer a natureza do sofrimento associado à doença mental e como ele difere de sua contraparte não patológica mais comum. Os próprios pacientes, aponta ele, costumam preferir a palavra “sofrimento” a transtorno ou doença mental. O trabalho também deverá considerar o sofrimento como mostrado na literatura e no teatro.

O próprio Professor Hurwitz supervisionará estudos sobre as percepções pessoais publicadas de doenças, das quais as últimas décadas testemunharam um acúmulo estável. Segundo ele, a narrativa de doenças é um fenômeno de publicação distinto, que surgiu na década de 1950. “Antes disso, relativamente poucas doenças eram retratadas na literatura de forma extensa e elaborada. Isso provavelmente tem alguma relação com a confiança que temos ao nos expormos e a sensação de ameaça pela doença de maneiras que foram suprimidas e estigmatizadas no passado” , afirma.

Se, como insistia Sócrates, “a vida não examinada não merece ser vivida”, talvez seja igualmente verdadeiro que a profissão não examinada não mereça ser praticada. O centro deve ajudar a resolver isso.

Geoff Watts é membro do grupo consultor do Centre for the Humanities and Health.




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