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17/12/2009

Cientistas farão consulta sobre animais que contêm material humano

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Pesquisadores do Reino Unido lançaram uma grande variedade de consultas sobre questões científicas, éticas, de segurança e regulatórias associadas ao uso em estudos científicos de animais que contêm material humano. Seu objetivo é desenvolver uma estrutura regulatória e robusta.

Pesquisas que envolvem o uso de material animal em humanos já são inteiramente regulamentadas. Porém, apesar dos importantes desenvolvimentos de pesquisas que envolvem a incorporação de material humano em animais nos últimos 40 anos, atualmente não há qualquer regulamentação nessa área, tendo havido pouca discussão pública sobre o que se considera aceitável.

Martin Bobrow, presidente do grupo de trabalho que coordenará a consulta e professor emérito de genética médica da Universidade de Cambridge, afirmou: “A consulta para a Lei de Fertilização e Embriologia Humanas no ano passado possibilitou uma ampla discussão sobre as pesquisas com embriões humanos, incluindo aquelas que incorporam material genético animal. Contudo, as pesquisas que envolvem animais que contêm material humano ainda não foram vistas dessa maneira, embora levantem importantes questões éticas e científicas”.

A consulta deverá centrar-se em animais transgênicos, nos quais houve integração de material genético humano, e animais quiméricos, que contêm células de origem humana. Estes já estão em uso disseminado em laboratórios de pesquisas no mundo todo.

Exemplos incluem os macacos Rhesus, que portam a forma humana do gene para a doença de Huntington, usados para investigar o desenvolvimento da doença, e camundongos com fígados similares ao humano para testar os efeitos de novos fármacos. Outro exemplo são os anticorpos monoclonais produzidos através da inserção de genes humanos em células animais, usados para tratar uma variedade de doenças.

No entanto, segundo o Professor Bobrow, há uma lacuna entre o que as pessoas estão fazendo nos laboratórios e aquilo de que o público tem conhecimento: “É uma boa ideia abrir a área para consulta e discussão antes, e não depois, de quaisquer desenvolvimentos que possam causar preocupação”.

O grupo de trabalho deverá discutir com destacados especialistas de uma grande variedade de campos de pesquisa, incluindo genética do desenvolvimento, neurociência clínica, medicina veterinária, bioética e direito, a fim de examinar as questões que envolvem o uso de animais e embriões que incorporam material humano. A consulta também deverá incluir um programa de diálogo público para garantir que os achados abranjam as visões do público em geral.

Robin Lovell-Badge, chefe da divisão de biologia de células-tronco e genética do desenvolvimento no Instituto Nacional de Pesquisa Médica, salientou que a preocupação parece depender de quatro fatores principais: a quantidade de DNA incorporada ao material genético animal, o que o DNA codifica, o tipo de célula transplantada em um animal e o tipo de animal. “Uma questão-chave”, sugeriu, “é se o material incorporado em um animal lhe conferiria características similares às humanas”.

Por exemplo, a incorporação integral do cromossomo humano 21 ao DNA de um camundongo criou um modelo útil da síndrome de Down, porém Lovell-Badge questionou se isso pode ser aceitável em um macaco, devido à questão ainda desconhecida referente a se ele poderia vir a se tornar mais parecido com um ser humano.

A incorporação de genes que codificam o desenvolvimento de membros pode fornecer modelos úteis para o estudo de anormalidades, mas algumas pessoas podem considerar inaceitável que haja animais com membros semelhantes aos humanos.




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