Três distintos comitês internacionais estão investigando a decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS) de declarar o vírus H1N1 uma pandemia. O mais adiantado, sendo realizado pelo Conselho da Europa, começou em janeiro. Também está crescendo o apoio no parlamento europeu para que os membros conduzam suas próprias investigações e a OMS crie um comitê de revisão independente.
Paul Flynn, membro do Partido Trabalhista do parlamento britânico e responsável pela redação do relatório de investigação do Conselho da Europa sobre a pandemia, acredita que a discrepância entre a escala dos alertas e o real efeito do vírus afetou negativamente a confiança pública na OMS e em muitas instituições de saúde.
“Da próxima vez em que alguém der um alarme falso sobre uma pandemia, a maioria esmagadora não levará a sério”, afirmou em uma audiência pública sobre o manejo da pandemia do H1N1 (a segunda organizada pelo Conselho da Europa), realizada em Paris no dia 29 de março. Ele alertou que, se transparecesse que o rótulo de pandemia tivesse sido atribuído ao vírus para aumentar os lucros da indústria farmacêutica, “este acabaria por se tornar um dos maiores escândalos na saúde de toda a história”.
A Ministra da Saúde da Polônia, Ewa Kopacz, explicou na audiência por que seu governo havia se recusado a lançar uma campanha de vacinação após o alerta da OMS. Os especialistas do país haviam concluído que a situação não era tão séria quanto descrita, e o governo havia se recusado a aceitar as condições das indústrias farmacêuticas de que o governo – e não os fabricantes – fosse totalmente responsabilizado por quaisquer efeitos colaterais das vacinas.
Enquanto o Conselho da Europa tenta esclarecer se a influência indevida da indústria ou os conflitos de interesse interferiram na decisão da OMS, o parlamento europeu aborda a questão de um ângulo diferente. Michèle Rivasi, membro do Partido Verde do parlamento europeu, está liderando um movimento com vistas a criar um comitê especial para investigar por que as instituições da União Europeia, como a Agência de Medicamentos da Europa e o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças, seguem sem discutir a decisão da OMS e sem realizar sua própria avaliação independente sobre os riscos envolvidos.
Segundo ela, a Agência de Medicamentos da Europa aprovou rapidamente vacinas cujo impacto sobre gestantes e crianças ainda não havia sido avaliado totalmente. Michèle Rivasi está confiante de que ganhará o apoio dos 183 parlamentares necessários para a criação do comitê de investigação.