Uma recente auditoria na Grécia observou que apenas 10% dos pedidos de exame para marcadores tumorais estavam adequados. Esse achado alarmante reforça a importância da solicitação e da interpretação corretas dos marcadores no diagnóstico, na avaliação do prognóstico, na escolha do tratamento e no monitoramento do avanço do câncer. Estimativas conservadoras sugerem que, apenas no Reino Unido, aproximadamente 15 milhões de exames desse tipo sejam realizados a cada ano.
O custo de testes inadequados para marcadores tumorais foi estimado em aproximadamente US$35.000 ao mês no Reino Unido. No entanto, a consciência das limitações dos marcadores é essencial não só devido às implicações econômicas de seu mau uso, mas também porque resultados usados inadequadamente podem causar ansiedade e sofrimento para os pacientes. Exames desnecessários costumam estar associados a efeitos colaterais graves, podendo retardar o diagnóstico e o tratamento corretos. Na seção Revisão Clínica desta edição (pág. 678), analisamos os marcadores tumorais séricos utilizados com maior frequência, revisando as recomendações para sua aplicação ideal.
A detecção precoce do câncer de próstata é o tema de destaque da seção Artigo Original (pág. 663) e também na seção Análise (pág. 660). Como o assunto é polêmico, provavelmente continuará havendo controvérsia quanto a riscos e benefícios do rastreamento. Por um lado, o exame permite que o câncer de próstata seja diagnosticado precocemente, quando o tratamento ainda é curativo. Por outro lado, o rastreamento também levou a um número considerável de falso-positivos e sobrediagnóstico de uma doença que, de outra maneira, não emergiria em termos clínicos.
Em uma meta-análise (pág. 672), abordamos a prevenção de quedas com formas ativas e suplementos de vitamina D, que têm efeitos diretos sobre a força muscular. Vários ensaios clínicos sobre a vitamina D foram realizados desde 2004, mas a análise desse recurso para a prevenção de quedas deve ser reavaliada. Assim, o objetivo do estudo que publicamos foi avaliar a eficácia da suplementação de vitamina D, com e sem cálcio, para a prevenção de quedas entre idosos por dose e concentração sérica de 25(OH)D atingida.
Na seção Controvérsia (pág. 658), os autores questionam se a saúde mental específica para os jovens deve tornar-se uma especialidade. Para Patrick McGorry, as doenças mentais são as doenças crônicas dos jovens – faixa etária na qual cerca de 75% dos transtornos mentais têm sua primeira manifestação. Portanto, a melhor maneira de assegurar o tratamento precoce, segundo o autor, é dispor de serviços especializados. Já Peter Birleson argumenta que a integração com os serviços já existentes é mais importante, uma vez que os transtornos psicóticos não são exclusivos da juventude e ocorrem tanto na infância quanto na idade adulta.
Esperamos que você aproveite o conteúdo desta edição e também os textos exclusivos disponíveis no www.bmjbrasil.com.br. Lembramos que a periodicidade da revista é de fevereiro a dezembro, portanto seu próximo exemplar será entregue a partir do dia 20/02/10.
Boas festas!
Adriane Kiperman Rojas
Diretora