As bactérias multirresistentes representam um importante problema de saúde. Somente na União Europeia, infecções por essas bactérias causam cerca de 25 mil mortes por ano, e a carga econômica associada a tais infecções também é imensa. Apesar da necessidade urgente de novos antibióticos para atacar as bactérias resistentes, um relatório recente do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças e da Agência Europeia de Medicamentos alerta para uma linha de produção praticamente parada: apenas dois novos medicamentos estão sendo desenvolvidos e ambos estão nos primeiros estágios quando os índices de falha são altos.
Abordamos esse assunto na seção Análise (pág. 344), nos Editoriais (pág. 324) e na seção Artigo Original (pág. 351). De acordo com Anthony D So e colaboradores, é necessária uma ação conjunta para fornecer novas tecnologias e preservar os medicamentos existentes. “A atual escassez de pesquisa e desenvolvimento de antibacterianos levará décadas para ser revertida. As estratégias para realinhar os incentivos econômicos, preencher lacunas de informações e minimizar as interrupções na cadeia de suprimentos não exigirão menos inovação”, afirmam os autores.
A infecção bacteriana grave em crianças febris é analisada (pág. 352) por meio de um estudo prospectivo de coorte associado. Embora as vacinas infantis de rotina tenham diminuído a incidência de infecções bacterianas graves, as consequências do erro diagnóstico em infecções mais graves podem ser devastadoras. No estudo, os autores apresentam novas evidências para orientar os médicos que avaliam crianças com infecções agudas. Identificar a pequena proporção de crianças com infecção grave ou potencialmente fatal pode ser desafiador e constituir uma fonte de grande ansiedade para os pais.
Na seção Prática Médica (pág. 370), o quadro de embolia pulmonar, que pode facilmente passar despercebido, é explicado em detalhes. A tríade clássica de dor pleurítica, dispneia e hemoptise ocorre em menos de 10% dos pacientes, porém os sintomas mais comuns (dispneia e dor torácica) são inespecíficos. Conforme os autores, se não houver tratamento adequado, a doença poderá recorrer em 30-50% dos casos, com índice de fatalidade entre 10-45%. Portanto, casos não diagnosticados apresentam alto risco de recorrência e morte. A boa notícia é que a maioria dos pacientes diagnosticados e tratados de acordo com as diretrizes tem desfecho favorável.
A apneia do sono é descrita do ponto de vista de um paciente (pág. 377). Caracterizada por obstruções parciais ou completas das vias aéreas superiores durante o sono, a doença causa ronco, diurese noturna, refluxo gastresofágico, despertares frequentes e sono agitado. O autor, que também é médico, descreve sua experiência com um CPAP (aparelho que realiza pressão positiva contínua das vias aéreas) como terrível e “pacientizante”. Para ele, em sua própria vivência, a grande descoberta feita foi a de que os médicos nem sempre sabem mais que os pacientes.
Boa leitura!
Adriane Kiperman Rojas
Diretora